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   Freio lingual curto e anteriorizado, a causa da "língua presa"

   Maria Carolina Furlan - fonoaudióloga

   Já escrevi em outro artigo sobre a popularização do termo "língua presa". Normalmente,    trocas  na fala e interposição de língua durante esta recebem essa denominação pelos leigos.    Mesmo   nos casos de atraso na aquisição de fala muitos pais questionam os pediatras se a    causa  seria   porque a língua da criança é presa.

   Na verdade, quase a totalidade das alterações de fala não tem qualquer relação com a real    "língua presa", ou seja, com a presença de um freio lingual encurtado e com inserção    anteriorizada. Porém, há casos em que realmente existe um encurtamento e uma inserção    anteriorizada do freio lingual, o que prejudica a movimentação da língua e conseqüentemente    a  fala e a deglutição (ato de engolir).

  Quando colocamos a língua no palato duro (céu da boca) vemos um "fiozinho". Este é o freio    lingual. Caso este esteja inserido muito próximo à ponta da língua, repuxando-a pelo meio,    podemos dizer que este sim é um freio curto e a língua esta "presa". Mesmo assim, há casos em    que não há alterações nem de fala nem de deglutição.

   Nos casos em que existe algum desses problemas, há necessidade inicialmente de uma    frenectomia (ressecção do freio lingual) para que a mesma possa ter "liberdade" para se    movimentar. Esta cirurgia pode ser realizada tanto pelo cirurgião dentista como pelo    otorrinolaringologista.

   Com essa cirurgia, a língua já não tem mais a restrição de movimento estrutural, porém, como    por muito tempo as possibilidades de movimentação eram restritas, há a necessidade de    tratamento fonoaudiológico para reorganizar os movimentos da língua tanto para a deglutição    como para a fala. Quando o freio lingual é curto a língua tem dificuldades para elevar e    produzir adequadamente sons como do /t/, /d/, /l/ e /r/, dentre outros.

   Assim, caso tenha dúvidas, faça uma avaliação com um fonoaudiólogo para saber o que causa    a alteração de fala de seu filho, ou da própria fala, para que a melhor conduta seja seguida e não    se realize uma frenectomia desnecessariamente.

    Qualquer dúvida, mande um e-mail para contato@fonosaude.com.br

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